02/02 Odoyá mamãe Iemanjá 🩵🌊

Hoje, dia 02 de fevereiro, o Brasil se volta para o mar para celebrar Iemanjá, a Grande Mãe das Águas Salgadas.
Senhora dos oceanos, do ventre primordial e da força que acolhe e purifica. Iemanjá é o princípio que embala a vida em movimento, a maré que leva embora o que pesa e devolve clareza ao coração.
Neste dia sagrado, honramos sua presença como arquétipo do cuidado, da fertilidade e da proteção. Uma mãe que acolhe as dores, escuta os pedidos silenciosos e ensina que sentir também é uma forma visceral de sabedoria.

Sua origem

Iemanjá tem origem nas tradições iorubás da África Ocidental, especialmente entre povos da região que hoje conhecemos como Nigéria e Benim. Seu nome deriva de Yèyé omo ejá, ‘Mãe cujos filhos são como peixes’, uma imagem poderosa de fecundidade, abundância e proteção.

A história de Iemanjá tem seus mistérios e suas variadas crenças, tão antigas quanto temos registros…
Mas, conta-se que Iemanjá, criada por Olorum como geradora de vida, foi mãe de muitos orixás, e que seu ventre carregava não apenas filhos, mas forças para a criação de um novo mundo (o gestando como mãe das águas, em seu útero aquático tal qual nós no útero de nossas mães). Em algumas narrativas, após viver conflitos profundos, dores emocionais e desentendimentos familiares, seu corpo se rompeu, e de seu seio nasceram rios, mares e novas divindades. No entanto, tal rompimento não é visto como fraqueza, e sim como um ato cósmico/ energético/ espiritual de transformação, onde da dor nasce a vida, e da ruptura, surge o oceano.
E em outro mito, ao fugir de uma relação opressora, Iemanjá corre em direção ao horizonte, e suas lágrimas se tornam o próprio mar. E é ali que ela passa a reinar, acolhendo tudo o que chega, sem distinção. Por isso, o oceano é seu espelho: profundo, misterioso, por vezes revolto, mas essencialmente gerador e purificador.

Na África, Iemanjá não era inicialmente ligada ao mar aberto, mas sim às águas doces, rios e nascentes, especialmente associada à maternidade, à fertilidade e à continuidade da vida. Com o passar do tempo e a diáspora africana forçada pela escravidão, seu arquétipo se expandiu e se transformou no Brasil, onde ela passou a ser fortemente vinculada ao oceano, às águas salgadas como lágrimas, às marés e à imensidão.

O culto a Iemanjá chegou ao Brasil através das pessoas africanas escravizadas, que trouxeram seus orixás na memória, no corpo, no canto e na fé. Aqui, diante da violência, da repressão religiosa e da tentativa de apagamento cultural, o culto aos orixás precisou se reorganizar.
Nos portos, nas cidades litorâneas, no contato diário com o mar e com o sofrimento das travessias, Iemanjá passou a ser reconhecida como a Grande Mãe das Águas Salgadas, aquela que acolhe os que partem e protege os que ficam. E assim, o mar brasileiro tornou-se também território sagrado, e Iemanjá, a mãe e guardiã da calunga grande.


O sincretismo com Nossa Senhora dos Navegantes


O dia 02 de fevereiro também marca a celebração de Nossa Senhora dos Navegantes, especialmente no sul do Brasil. O sincretismo entre ela e Iemanjá não aconteceu por acaso.
Ambas representam proteção, cuidado, guia e amparo aos que cruzam as águas. Ambas são mães espirituais ligadas à travessia, à fé em meio à incerteza e à proteção dos lares.
É importante compreender que o sincretismo não apaga nenhuma das duas, ele foi uma estratégia de sobrevivência espiritual e cultural. Hoje, muitas pessoas honram as duas forças, sabendo distinguir suas origens e respeitando suas tradições;
Iemanjá é uma orixá africana, e Nossa Senhora dos Navegantes é uma santa do catolicismo.


Iemanjá no âmbito espiritual


Espiritualmente Iemanjá é o arquétipo do amor materno que acolhe, mas também educa. Ela não é apenas doçura, suas águas ensinam sobre limites emocionais (e físicos), maturidade afetiva e responsabilidade (também com os vínculos), nos aproximando ainda mais de nossas emoções mais profundas.


Ela rege e protege:
✨ a maternidade e a ancestralidade;
✨ o útero simbólico e emocional;
✨ os lares, crianças e famílias;
✨ os sentimentos profundos;
✨ o inconsciente emocional;
✨ a proteção espiritual;
✨ nossas lágrimas sagradas.


Filhas e filhos de Iemanjá
Filhas e filhos de Iemanjá costumam carregar:
✨ forte sensibilidade emocional;
✨ instinto protetor;
✨ vínculo profundo com família e ancestralidade;
✨ necessidade de pertencimento;
✨ emoções intensas e, às vezes, oscilantes;
✨ grande capacidade de cuidado e acolhimento;
✨ presença acolhedora.

No entanto, quando desequilibrados, podem viver apego excessivo, medo da perda ou sobrecarga emocional.


O trono de Iemanjá na Umbanda Sagrada
Na Umbanda Sagrada, Iemanjá atua no Trono da Geração juntamente com o Orixá Omolu, regendo a continuidade da vida, a gestação física e espiritual, e o campo emocional que sustenta o existir, diante do ciclo do renascer.
Ela irradia junto às forças da água, do feminino, da criação e da sustentação emocional da humanidade. Trabalha em harmonia com outros orixás, especialmente aqueles ligados à formação da vida e à estrutura dos lares, sendo considerada a grande mãe dos orixás.


Iemanjá em outras tradições
É fundamental reconhecer que não existe uma única Umbanda.


Em outras vertentes, Iemanjá pode ser compreendida como:
✨senhora das águas salgadas e das marés;
✨mãe dos orixás;
✨força ligada ao inconsciente coletivo, que nos navega sutilmente pelas águas do sentir (habitando em um planeta água e sendo constituídos por mais de 70% em nosso organismo);
✨grande matriz feminina da criação e purificação.


No Candomblé, sua compreensão e fundamentos variam conforme a nação, com mitos, cantigas e atributos próprios, sempre respeitando a tradição oral e ritualística.
E o que une todas essas crenças é o reconhecimento de sua grandeza, de sua maternidade sagrada, regendo as águas, e seu papel essencial no equilíbrio espiritual, e de todo um ecossistema vivo.


Como honrar Iemanjá em seu dia 02/02
Se conectar com a frequência de Iemanjá requer fé e sensibilidade para a ouvir. Seja junto ao mar, ou conectad@ a ela pelo coração, em oração.


Pode ser feito através de:
✨silêncio e oração;
✨flores brancas entregues ao mar com consciência;
✨água salgada para limpeza energética;
✨gratidão às mães ancestrais;
✨cuidado com o próprio emocional;
🌠 E se for cultuar a potência de Iemanja, relembre que a principal oferenda é a consciência de limpar e cuidar de seu lixo e dos objetos não orgânicos que levar. Há todo um ecossistema vivo em nosso planeta, e cuidar de plásticos ou itens descartados (mesmo quando não são nossos) é o maior ato de honra que podemos fazer pela mãe das águas (e pelo nosso planeta casa)!

Que neste 02/02 possamos honrar nossas emoções, nossas raízes, nossos mares e nossos lares internos.
Que as águas de Iemanjá lavem excessos, curem feridas e fortaleçam o amor que sustenta a grandiosidade sútil da vida.
Odoyá, Mamãe Iemanjá 🤍🌊

Comentários:

Conheça mais da nossa curadoria:

Na Flor de Brisa, cada conteúdo é escolhido com carinho para inspirar, acolher e despertar o seu melhor. Nossa curadoria reúne saberes ancestrais, práticas terapêuticas e caminhos de autoconhecimento que transformam a vida de dentro pra fora

Leituras que combinam com este tema:

Siga Nossas Redes Sociais

Caminhos e Descobertas:

Descubra nossos encantos e possibilidades:

Na nossa loja, cada item é escolhido com propósito: elevar sua energia, trazer equilíbrio e conectar você à sua essência. Encontre produtos que inspiram e vivências que acolhem. Tudo feito com alma e intenção.

Seu portal para o universo místico ✨ Equilíbrio, conexão e transformação Descubra a magia que existe em você 🌹

Fique por dentro de tudo que acontece Na Flor de Brisa.

© Direitos reservado Flor de Brisa Store